Arlindo, Arte e Resistência

Publicado em 27/02/2026
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Em 2026, a União do Parque Curicica, agremiação da Série Prata do Carnaval Carioca, realizou um dos desfiles mais emocionantes de sua trajetória na Intendente Magalhães. Com o enredo inédito “As Viagens de Arlindo: Minha Loucura é Ser Artista”, a escola exaltou uma personalidade do seu território, reafirmando que a glória de uma agremiação está em celebrar as raízes e a potência cultural de sua própria comunidade. Na avenida, Curicica contou a vida e a obra de Arlindo Oliveira, multiartista do Ateliê Gaia que enfrentou os horrores do manicômio e ressignificou sua existência por meio da arte. Arlindo foi interno da Colônia Juliano Moreira durante grande parte de sua existência, porém conseguiu transformar dor em cor, silêncio em narrativa e exclusão em expressão artística. Sua trajetória tornou-se símbolo de resistência, memória e liberdade. O enredo ganhou ainda mais significado por ter sido apresentado poucos meses após sua partida, em novembro de 2024, uma semana depois de sua última exposição no PUC-Rio. A homenagem levou para a avenida não apenas a estética vibrante de suas obras, mas também uma reflexão profunda sobre a luta antimanicomial, as conquistas da Saúde Mental e o poder transformador da arte na reconstrução de vidas. Nas alas podíamos observar pavilhões de figuras como Arthur Bispo do Rosário, também artista e referência para arte contemporânea mundial que teve sua vida marcada pela internação na antiga Colônia Juliano Moreira. Com alegorias impactantes, fantasias carregadas de simbolismo e um conjunto harmônico que emocionou o público, a União do Parque Curicica transformou a Sapucaí em um grande ateliê a céu aberto. As alas representaram as “viagens” de Arlindo, suas memórias, seus delírios criativos, suas dores e suas vitórias, conectando território, cultura popular e identidade. O desfile foi um manifesto poético que valorizou Curicica e reafirmou o papel do samba como instrumento de consciência social. Mais do que um desfile, 2026 marcou um ato de reverência e pertencimento. A União do Parque Curicica demonstrou que homenagear Arlindo foi também homenagear a si mesma, sua história e seu povo. “As Viagens de Arlindo: Minha Loucura é Ser Artista” permaneceu como um capítulo inesquecível: resistência, emoção e memória transformadas em espetáculo. Para que ninguém se esqueça, para que nunca mais aconteça: manicômio nunca mais!

 

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