Zona Mental 2026

Publicado em 27/02/2026
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O Bloco Zona Mental reafirmou, na sexta-feira do dia 06 de fevereiro, seu papel como importante iniciativa de articulação entre cultura e cuidado em saúde mental no município do Rio de Janeiro. O desfile anual reuniu dispositivos de saúde mental, usuários dos serviços, profissionais, familiares e a comunidade da Zona Oeste, promovendo um encontro marcado pela inclusão, pela convivência e pela celebração da diversidade. Realizado na Praça Guilherme da Silveira, o evento consolidou-se como um espaço de expressão artística e fortalecimento de vínculos comunitários. A iniciativa evidencia a importância da cultura como ferramenta de cuidado, cidadania e enfrentamento ao estigma associado ao sofrimento psíquico. Com o enredo “Meu Nordeste, Meu Sertão. Do Agreste à Zona Oeste”, o Bloco Zona Mental homenageou o mestre Hermeto Pascoal, celebrando suas raízes nordestinas e sua contribuição singular para a música brasileira. A proposta temática estabeleceu uma ponte simbólica entre territórios, saberes e identidades, ressaltando a potência transformadora da arte como linguagem de cuidado e pertencimento. A edição deste ano também foi marcada por um momento de reconhecimento e despedida. O Bloco Zona Mental anunciou a saída de seu vice-presidente, Cláudio Carvalho, após dez anos de dedicação desde a fundação da iniciativa. Presente desde os primeiros passos do bloco, Cláudio foi autor dos sambas inaugurais, intérprete e responsável pelas mídias sociais, desempenhando papel fundamental na consolidação da identidade do coletivo e na afirmação da arte como dispositivo de cuidado no território. Ao longo de dez anos dedicados ao projeto, contribuiu diretamente para a organização e sustentação do bloco, fortalecendo sua atuação no âmbito da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) e dos Centros de Convivência. Sua trajetória foi marcada pelo compromisso com a ampliação dos enredos e dos sambas para além do cuidado em sentido estrito, promovendo diálogos com a realidade local e com as múltiplas dimensões da vida coletiva. Em sua mensagem de despedida aos componentes, Cláudio Carvalho destacou: “Desde a fundação do Bloco Zona Mental, construí com ele uma relação de compromisso e afeto. Ao longo de quatro anos como vice-presidente, participei diretamente de sua organização e sustentação, apostando na arte e na cultura como dispositivos de cuidado, produção de laço social e afirmação de direitos, especialmente no âmbito da RAPS e dos Centros de Convivência. Também busquei ampliar o espectro dos sambas e dos enredos para além do cuidado stricto sensu, dialogando com a realidade local e com as múltiplas dimensões da vida coletiva. Esse percurso foi atravessado por desafios que me levaram a revisar o lugar que ocupo e as condições de continuidade desse trabalho. A sobrecarga e a compreensão de que certos espaços devem ser protagonizados por usuários, profissionais da ponta e atores culturais me conduziram à decisão de encerrar esse ciclo. Faço esse movimento com serenidade e gratidão, com a sensação de missão cumprida. Sigo confiando na potência do Bloco Zona Mental, torcendo para que continue vivo, se reinventando e produzindo cuidado, cultura e transformação social.” A despedida marca o encerramento de um ciclo importante na história do Bloco Zona Mental, ao mesmo tempo em que reafirma a natureza coletiva, democrática e em constante renovação da iniciativa. Mais do que um desfile, o bloco consolida-se como projeto de cuidado em liberdade, inclusão social e valorização da vida, fortalecendo a política pública de saúde mental e ampliando o diálogo entre cultura e cidadania no Rio de Janeiro.

 

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